" Há regatos no deserto, há um caminho na solidão."

  

                                       Sim, há opções, sempre há escolhas. Todos podem trilhar um caminho espiritual, cultivar sua espiritualidade, mas é preciso estar de acordo com as próprias inclinações.  Há pessoas que insistem em um caminho espiritual que não foi feito para elas, e o fazem, às vezes, por teimosia, intransigência e até por imposição de terceiros.  Seria como o caso do jovem que resolve abraçar o Sacerdócio católico porque essa era a vontade da mãe, embora ele mesmo não tenha nenhuma inclinação para essa vertente. Ele, se fosse fazer uma escolha pessoal, teria optado por algo  advindo de ramos orientalistas, mas isso decepcionaria muito a sua mãe, que desejava que o filho fosse padre, e então ele assim o fez.  Será um padre amargurado, sem nenhuma vocação e, não raro, desvirtuará.
                                              Também é preciso ter um apurado senso de realidade para saber que não basta ter vontade, é preciso a inclinação, a vocação para determinado caminho. Exemplo de alguém que almeja ser um Mago.  Leu maravilhas sobre isso, assistiu filmes hollywoodianos que mostram coisas inacreditáveis sobre esse tema e acha que, já que sempre gostou de assuntos afins, seu destino é ser um Mago. É líquido e certo que essa pessoa, com essas balizas, não chegará nem perto de seu objetivo, mas se frustrará muito na tentativa, já que todo o seu referencial é baseado em ilusões, sonhos e fantasias. E nisso inclusive terá prejuízos de toda espécie, especialmente ao cair nas mãos de vigaristas que se aproveitarão desse sonho ingênuo e oferecerão "oportunidades únicas para realizá-lo."   Mas, vamos por um momento imaginar que fosse possível atingir seu objetivo  :  lembremos no enunciado que essa pessoa não tem vocação nem inclinação e se baseou unicamente em seu desejo de  ser o mais próximo possível das ficções que assistia em filmes ou lia em livros.  Anda que lhe fosse possível se tonar um Iniciado, seria, ao fim das contas, um Iniciado não comprometido e que, por essa falta de comprometimento de corpo e espírito, ainda que tivesse passado pelos ritos de Iniciação, Investidura e Ordenação, seria um Iniciado apenas de direito, mas não de fato.
                                               Assim é com todo  resto.    Há muitas opções de caminhos espirituais, e você deve escolher um que seja adequado às suas aspirações e também dentro das suas possibilidades de segui-lo.  Há pessoas que manifestam desejo de seguir determinado caminho, desde que seja fácil e sem complicações. Alguém que, hoje, desejasse o caminho do Xamanismo, necessariamente essa a pessoa teria de ir para a região dos Andes, pois na América do Sul é onde há Xamanismo autêntico, e a segunda opção seria a Sibéria. Obviamente que dá para estudar a teoria xamânica aqui mesmo, há muitas obras sobre isso, mas a vivência prática exige que se vá ao lugar onde isso ocorre.   O mesmo se aplica a quem desejasse o caminho da Strigheria, um ramo de bruxaria italiana.  Para isso teria de ir à Itália, pois se tentasse se aprofundar na Strigheria aqui o máximo que conseguiria seria a teoria, e a seguir cair nas mãos de vigaristas.
                                               Seja qual for o caminho que lhe desperta interesse, se a intenção incluir mostrar isso a outras pessoas então sua intenção é ilegítima.  A Busca Espiritual visa buscar respostas para a própria evolução, uma espécie de religião íntima e muito pessoal, única para cada pessoa, e não algo a ser ostentado. Em toda e qualquer situação onde o Ego e a Vaidade deram opinião nada deu certo.
                                               Trilhar um Caminho Espiritual é, antes de tudo, uma atitude mental, um estado de espírito. Se internamente você não estiver em estado de Busca, de nada adianta você ir ao Caminho de Santiago, ao Caminho de Roma, ao caminho de Jerusalém ou o Caminho dos Andes, tudo isso seria apenas uma viagem de turismo e não uma Busca.
                                               É preciso que se esclareça que uma Busca espiritual   é um caminho pessoal e solitário, de maneira que para ser uma Busca de fato você não precisa estar ligado a alguma religião, culto, seita ou coisas desse jaez. O que você precisa é cultivar sua espiritualidade, e isso é algo íntimo.  Nem toda Busca tem necessariamente de envolver o recebimento do Chamado.  O Chamado implica num impulso que leva você a um caminho específico, uma vocação.  Vemos muitas pessoas que pensam ter recebido o Chamado unicamente porque acham determinado tema interessante, e aí temos uma pessoa que acha que recebeu o Chamado para a igreja porque ela acha "legal"  a ritualística da missa. Não é assim.  O Chamado é um impulso irresistível, e dele tratamos em outro capítulo desta mega-page.
                                               De todo modo, empreender uma Busca Espiritual não é algo restrito aos que receberam o Chamado, e está ao alcance de qualquer pessoa que de fato tenha o desejo de cultivar sua espiritualidade.
                                               No início deste capítulo escrevemos que há regatos no deserto.  Mas a isso tenha-se cuidado, porque nem todo regato no deserto é acolhedor, e há regatos de águas salobras.  Cabe aqui, então, mencionar a palavra-chave dessa questão, que é Discernimento, que, de tão importante, na sua forma excelsa é citado como um dos Dons do Espírito Santo. Para trilhar um Caminho Espiritual você deve seguir o seu coração, mas sem deixar de dar ouvidos também à razão, e trilhar esse caminho porque você se identifica com ele e se sente atraído, e não porque viu outra pessoa trilhando.  nem tudo o que é bom para uma pessoa vai ser também para outra, pois que cada pessoa terá diferentes experiências ainda que estejam num mesmo caminho.
                                               Ao final das contas, o que de fato importa é que você cultive também o seu lado espiritual, do mesmo modo que dá atenção ao seu aspecto físico.  O Homem é um ser dual, ele tem uma contraparte além da matéria física e essa contraparte tem de ser cultivada pois o homem que é apartado de sua espiritualidade e se dedica integralmente à matéria é um homem  que não vive, apenas existe.  Estar consciente da existência de seu aspecto espiritual dá ao Homem uma noção de limite e finitude, ou seja, fica consciente de que a matéria se acabará, e que ele tem responsabilidade sobre as coisas que faz.  Se assim não fosse e Homem acreditasse que a matéria é só o que há ele se tornaria uma espécie de monstro que não vê necessidade em respeitar coisa alguma já que com o fim da matéria tudo se acaba.  Ele estará errado se pensar assim.
                                               Com o constante cultivo de sua espiritualidade a pessoa dá mais um passo em direção a se tornar o Ser Humano Integral, mais evoluído em todos os sentidos. O Homem Integral, o próximo passo na evolução espiritual é o Hommo Renovarum.

 

 

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